Um exemplo de pessoa

bruno

Criados na Ruperti Filho, correndo rua, antes da construção do canal, formávamos uma turma imbatível. Nos sonhos, nas peripércias, nos milharais, nas taquareiras, chutando pedras e aprendendo a se equilibrar numa bicicleta. Eu, o Tuta, o Neco, o Chita e o Auri. Garrotes, moleques com budoques, futebol de botão, carros de plástico, pistolas de espoletas. Ah, quanta saudade daqueles tempos de meninos. Éramos os heróis da Ruperti, entre a Voluntários e a Conde. Não tinha prá ninguém. Tenho certeza que tivemos a melhor infância do mundo. Moramos na melhor rua de Venâncio. Tínhamos tribo, time, ídolos e muita gente grande nos protegendo. Como esquecer do Moia e do Zeca Marinheiro (filhos do Dedeco mecânico), dos Wagner (Acélio, Renato e Cia), do Salami que até hoje me chama de ‘Nana’, do falecido professor Tizinho, do tio Kim (jogador do Guarani), do Vuni do leite, do seu Konzen (lenheiro), do seu Seibt e do Edolar. Ruperti Filho da Bila, dos negrinhos da esquina, do pai de santo. Ruperti perto da sanga, onde nos banhávamos e depois apanhávamos… Ali foi que aprendemos a ser gente. Cada qual com seus pais. Exemplos vivos que ficaram em nossas memórias. Queridos, idolatrados pela gente. Também foi ali que cada um foi indo. É da vida a morte. O Tizinho e o seu Valdemar foram primeiro, muito jovens. Seu Fritz e o Rubem também. Nos agarramos no que ficou. Pessoa calma, fala mansa, sabedoria e tiradas profundas. Gostava de uma caipira e de um chimarrão à fente de sua casa nos finais de tarde. Pai da Leane, da Dete, do Neco, do Danino, do Auri, do Chita, meu e de toda aquela rua. Seu Bruno Emílio Boehm foi escolhido por Deus para ser o último… Dos nossos pais…

12 thoughts on “Um exemplo de pessoa

  1. Tuta

    A serraria do seu Konzen era o território de ligação entre a turma da Coronel Agra e a da Ruperti Filho. Um dia, patrulhando as selvas de Viet-Nâncio, eu me afastei de meu pelotão e me embretei sozinho numa roça de mandioca, que parecia não ter fim. De repente me vi muito distante da base, já no quadrante conhecido como Ruperti Filho. Nisso, um ruído em um terreno próximo me chamou a atenção. Começaram a surgir dali vários Viet-Congas, nome dado a eles pelos sapatos que usavam. E o maior deles veio falar comigo. Pensei que iriam me bater, tirar o meu bodoque de forquilha de goiabeira, e ficar com todas as minhas bolicas. Que nada. Me convidaram para caçar junto com eles, passei a tarde com aquela tribo de nativos, e conheci vários deles, que se tornaram amigos para toda a vida: um narigudo magrela com o nome bonito, outro baixinho dentuço que falava mais que uma grávida de trigêmeos, e o comandante do batalhão, que atendia pelo nome de Auri, mas todos ali eram de ouro.
    Abraços

  2. Lula Mello

    Elton:
    Parabéns pelo post.
    Me enxerguei nele também… pois na Julio de Castilhos e cercanias também tivemos nossa turma imbatível, nossos pais emprestados, nossas “florestas assombradas”, nossos estádios lotados, nossos autódromos de faz-de-conta.
    Irmãos Cananéia, Elaor Engel, Fábio Lermen, Elton e Beto Schuch, irmãos Carvalho, Jacó, Guinho e Gão, César Becker, entre vários que vieram e foram.
    Quantas Monaretas e botões de camada fizeram parte daqueles tempos maravilhosos?
    Lembra dos torneios de futebol nos campinhos? Das goleiras de taquara ou de eucalipto buscado nos matos da Fumossul? Do Q-Suco vendido por 10 centavos de sei lá qual moeda?
    Pois é…
    Este patrimônio ninguém nos tira.
    Nossos pais emprestados: Elio Lermen, Alex Engel (o vô Eti), Rosalino Cananéia…
    Velhos tempos…
    Passados tantos anos – e por mais saudosista que eu seja – te confesso que não trocaria a vida de hoje por aquela… mas que gostaria de voltar só um pouquinho… ah… não tenha dúvida que gostaria sim!!
    rs…
    Abração
    Lula Mello

  3. Rodrigo da Silva

    Lindas lembranças Elton!

    Sou mais novo um pouco, mas lembro de toda gurizada da rua.A maioria dos moradores da rua estão lá ainda, minha vó por exemplo, com 91 anos.E eu também, já estou a 33 anos naquela mesma quadra, entre a Voluntários e conde D…….Abração

  4. Nubyo Turelly

    Elton. Que legal podermos falar da nossa Ruperti Filho, antes da canalização. Lembrar do seu Dedeco, da padaria ao lado do Dedeco, do Penico, Buião, Eraldo, seu Konzen(pai do Lúcio), seu Generoso na frente da casa do teu Pai, seu Finkler, Tia Nicinha(vai completar 90 anos em 11/2009, vou na festa), da casa da mãe, do seu Crespo. Lembrar da ponte na esquina da Ruperti com a Barão do Triunfo onde se pegava algum mandim e mussum, das caçadas de preá ao lado da ponte e depois a mãe fazia com farofa. Do campinho do seu Bohn, das caçadas de bodoque entre a Barão do Triunfo e a estrada da serra(Gal.Osório) e não poderia esquecer do Estudiantes, nosso time de futebol(Dicão,Matungo,Núbyo,Tim-Tim,Dôdo e Bela Campos) que poderia estar na série “A” do Brasileiro se a SOVA não fosse contruida onde era nosso estádio. Bom relembrar.

  5. Dinaldo J. Morsch

    Quando eu tinha 14 ou 15 anos fui ajudante na Serraria de lenha
    do Seu Konzen,junto com o Evilasio(Villa).A lenha era entregue
    com uma camionete 29, a manivela.Em 1ºde fevereiro de 1983,comecei a trabalhar na Prefeitura,no almoxarifado e o
    chefe do setor era o Seu Bruno Behm,pai do Neco.Logo se aposentou
    para se dedicar na venda de Títulos de Capitalização, e eu fui
    para o setor de contabilidade e empenho.

  6. Luciano Wagner (Chita)

    Essa nossa querida Ruperti Filho não será esquecida mesmo.Apesar de distante hoje dela ( morando em Gravataí), a cada final de semana que retorno, a gente se sente cada vez mais em casa. Eu era daquela idade de meio termo. Era pequeno pros grandes ( Auri, Neco, Élton)e grande pros pequenos Fábricio , Rodrigo da Silva, e os saudosos Menandro e Guto Batista). Se corria, se brincava, se sujavamos todo até chegar ao final do dia, e ter de se enconder debaixo das casas prá fugir de uma surra ( claro que ai já era tarde né). Como diz o velho ditado: ” Eramos felizes e não sabiamos…”

  7. Gilney

    ELTON!!

    O SEU BLOG É SUCESSO MUNDIAL JUSTAMENTE PORQUE MEXE COM A EMOÇÃO MAIS SIMPLES E COTIDIANA, DOS TEMPOS QUE NÃO PODEM SER ESQUECIDOS E DOS ” ARTISTAS E ARTEIROS ” QUE ESSA TERRA CRIOU E CONTINUA EXPORTANDO PARA TODOS OS CANTOS DA TERRA…
    VOCÊ ACABOU DE DAR O PONTA-PÉ INICIAL DE ALGO QUE VÍNHAMOS CONVERSANDO A TEMPOS… ” AS RUAS DE NOSSAS VIDAS…” PENA QUE MUITOS NÃO TIVERAM A OPORTUNIDADE DE FICAR LONGE DAQUI; LONGE DA BARRA SA SAIA DA MÃE ( não que isso seja mandatório para discriminar modos e comportamentos ). MAS… PARA SENTIR AQUELE APERTO NO PEITO E NA GARGANTA QUE AINDA SINTO QUANDO LEIO ALGO COMO A SUA NARRATIVA… IMPAGÁVEL ( como diria certo ex-ministro ). BOA SEMANA…

  8. Rodrigo da Silva

    Grande Chita! Com certeza tivemos uma infancia muito feliz.Desta quadra só saiu pessoas boas, integras…Como é importante ter Amigos, e ter feito parte desta turma…Pena q alguns já não estejam aqui conosco,mas com certeza estão nos guiando no caminho bem…..Valeu pela lembrança……

  9. Auri

    Grande Elton
    Sempre mexendo com as emoções.
    Tinha nosso futebol no meio da rua, que depois que colocaram paralelepípedo, deixamos muitas tampas dos dedões perdidas.
    Lembro que tínhamos que ir na missa de domingo, às 19h, mas entrávamos e decorávamos o que estava escrito no painel e saíamos correr pela cidade
    Um dis ainda nos reencontraremos todos

  10. Neco

    Pera,valeu pelas colocaçôes.
    Mas,para acrescentar sobre as pessoas que viviam a nossa rua,lembro ainda da Kinha,filha do Marcírio,que me apelidou de Neco.Tinha também,esse é do fundo do baú mesmo,o irmão da Kinha,se não me falha a memória,de nome,me ajudem,Leane,Dete;mas acho Dailico…………

  11. Zuca

    Elton,
    Parabéns e obrigado pela emoção que você provoca em seus posts.
    Grande Neco, recordar é viver. Aliás, a palavra “re+cordar” significa, literalmente, ligar novamente o que vai no coração.
    Abraços a todos!

  12. airton

    Tinha as familhas dos Nauer, copacabana na outra esquina, o chaminé da fumageira, os Reckziegel moraram ali tb, o Zeca o Moni, Danino, Tomate, Totonho, Nilton Reis, Tonho Fanck, Telminho e por vai.

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